Crônica: O Curioso Caso de Catarina
Para uma melhor experiência, leia escutando The Man, Taylor Swift
Catarina costumava ser uma dessas mulheres que por onde passa, as pessoas paravam para olhar. Sua beleza era estonteante, seu carisma e sua inteligência eram capazes de atrair e deixar todos boquiabertos.
Ela era uma advogada respeitada, sua taxa de perdas era incrivelmente baixas e existia uma grande chance de que iria ser indicada para o cargo de vice-´presidente da companhia. Tudo ia bem, até o dia que ele chegou.
O homem de terno preto e de gravata azul.
Catarina nunca tinha visto um homem igual a ele - seu olhar era feroz, não era de uma maneira atraente, mas sim de uma maneira que a fazia se sentir constrangida, diminuida. O frio que correu pela sua espinha foi como se fosse um aviso de algo ruim estava prestes a acontecer.
E quando durante aquela reunião sua presença foi ignorada, suas opniões desconsideradas e todo o seu prestígio desprezado, foi como se seu corpo perdesse a postura.
Ela então se inclinou.
Ninguém havia duvidado do seu potencial apenas por ser uma mulher. Aquele homem não tinha metade do seu conhecimento ou potencial, entretanto, foi ele quem foi escolhido no seu lugar como vice-presidente.
Depois disso as coisas nunca mais foram as mesmas.
Catarina foi perdendo sua confiança e autoestima e graças a isso ela foi se inclinando mais e mais, quando deu por si ela já não mais era a mulher que atraia atenção de todos, não era a advogada respeitada, agora ela era mais uma na longa lista de mulheres que foram rejeitadas.
Não rejeitadas amorosamente, rejeitadas pela sociedade.
Ninguém na cidade esperava que Catarina se tornasse uma daquelas.
Catarina sempre havia sido especial, linda, inteligente e extremamente atraente, porém, quando uma mulher perde a sua confiança, quando ela se deixa ser diminuida e esquece quem realmente é voltar a enxergar o céu é quase missão impossível.
O curiso caso de Catarina, foi como chamaram tudo aquilo.
Passaram-se meses, mas para Catarina, foi como se tivessem passado anos.
Aquela posição era dolorida, seus pés eram a única coisa que seus olhos conseguiam ver, sua mente questionva como havia parado ali? O que tinha feito de errado? Sua única culpa era ser mulher?
Quando uma menina, de não mais de sete anos, passou por ali e conversando com sua mãe disse que tinha medo de terminar como "a tal Catarina" foi como se tivessem dado um tapa em seu rosto.
Não era assim que ela gostaria de ser conhecida. Não era como um exemplo de um futuro ruim, não foi para isso que sua mãe e seu pai haviam lhe criado.
Catarina era luz naquela cidade estrelada. Seu final não seria como uma mulher inclinada para sempre.
Voltar a ficar de pé não seria uma tarefa fácil e seria dolorido, pois para reconquistar sua posição ela teria que enfrentar aquilo que a rebaixou.
Para sua sorte, ela não estava sozinha. As mulheres que estavam em sua volta também não estavam destinadas a acabar daquele jeito porque de uma coisa elas tinham certeza: eram tão fortes, qualificadas e poderiam conquistar as mesmas coisas quanto qualquer homem.
Elas então foram se lembrando de quem eram e a prova disso foi quando o homem de terno preto e gravata azul esbarrou em Catarina.
Seus pés já não eram a única coisa que ela poderia ver, no entanto, ela ainda não conseguia encarar aquele homem nos olhos.
Como esperado, ele riu da condição que ela estava. Perguntou do que havia valido todo o esforço de anos se ela iria terminar ali de qualquer forma.
Ela respirou fundo e com bastante esforço, dor e determinação, Catarina se esforçou e encarou o homem que havia lhe feito esquecer quem era e disse:
"Posso ter me esquecido de quem eu era por alguns meses, posso até deixado de ser quem eu deveria ser, mas, eu nunca mais deixarei de olhar nos olhos de alguém,"
Desde aquele momento Catarina nunca mais se inclinou para ninguém e naquela cidade estrelada duvidou do brilho e da capacidade daquela mulher.
Ela não apenas voltou a ser respeitada como se tornou presidente de uma empresa de advogacia. Formou uma familia e ensinou sua filha Aurora que o curioso caso de Catarina não era uma história sobre uma mulher que se rebaixou.
Mas, sim, a história de uma mulher que se encontrou e nunca mais se perdeu.

Por: Ana Silva