Maternidade e vida acadêmica: É possível conciliar?

06-05-2022

Muitas jovens se tornam mães ainda no período de ensino e por vezes acabam tendo que abandonar os estudos. Já outras, contam com o suporte familiar para continuar a vida acadêmica, visto que ser mãe e universitária não é uma tarefa fácil. É o caso de Beatriz dos Santos, estudante de pedagogia que mostra que é possível conciliar a faculdade com a maternidade.  

Ao contar o relato da gravidez, ela fala que a descoberta veio aos 18 anos, o que foi uma grande surpresa, já que nada tinha sido planejado. Beatriz revela que foi um dos momentos mais difíceis, além de passar por um momento de negação, os enjoos e vômitos eram diários. Outro desafio foi contar a família à respeito, o que foi apenas aos cinco meses de gestação. "Foi difícil esconder de todos um segredo desses. Passei por muita coisa sozinha."  

O incentivo dos pais e amigos foi de imediato, embora tenha tido um momento em que ela pensou em desistir da faculdade por achar que não conseguiria cuidar do filho e estudar. Porém, só de contar com a rede de apoio dentro de casa já foi e continua sendo uma motivação. A futura pedagoga conta que a criança fica aos cuidados dos avós, enquanto está na faculdade, sendo uma das formas de ajuda para com os seus estudos.

Beatriz estava com dois meses de gestação quando iniciou o curso de pedagogia, logo no começo da pandemia. As aulas remotas contribuíram para que pudesse cuidar do filho e assistir os conteúdos passados. Com o retorno presencial, um dos desafios que mais enfrentou, foi em relação ao filho e ao estudo, visto que há uma falta de entendimento por parte do primogênito. 

"Foi difícil ele entender que eu precisava estar na faculdade. Porque eu ainda amamento. Eu sempre passo o dia inteiro com ele, e de repente eu tenho que ir para a faculdade, o estágio obrigatório. Então ele sente bastante falta de mim, e quando eu chego em casa ele fica muito feliz, e a primeira coisa que ele pede é o tetê (mamar)". 

A experiência do garoto de ir à universidade aconteceu recentemente,e ela conta. "No começo ele ficou meio assutado com o tanto de gente adulta. Mas depois se soltou e ficou andando pela sala interagindo com a turma e o professor." A mãe ainda complementa á respeito do acolhimento da turma. "Eles super curtiram e gostaram, os mais próximos me ajudaram, e o professor foi super tranquilo."

Ao ser questionada se falta politicas públicas voltadas para as mães no UDF, ela diz. "Não sinto falta porque tenho uma rede de apoio que possa ficar com meu filho.Mas acho que seria muito bom se tivesse um lugar na faculdade para deixar as crianças enquanto as mães assistem a aula. Porque é bem difícil conseguir prestar atenção na aula, tendo que olhar o filho, que é a nossa prioridade sempre." Finaliza.

Por: Iasmim Albuquerque

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